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Abril 2025, Abril 2027

Tem tudo que flui e tem tudo que passa
A corrente é aquilo que prende e aquilo que permite o fluxo entre as coisas
Fluxo de energia, corrente migratória
Arquitetura e espaço, instâncias negativas ao fluxo
Forma e condições para o deslocamento

Uma piscina vazia é um rio assoreado, descolada da sua função
Uma rede de fofocas e sussurros é um servidor na nuvem, suspenso
A história daquilo que passa é contata pela história daquilo que fica
E a temporalidade, palco das histórias enraizadas
Deslocar e descolar

Água, oceano, rio, energia, fofoca, gozo


***

imagem 1: Bela e dançante e submersa nas águas amazônicas, Ventura Profana canta a música e manifesto visual Eu Não Vou Morrer. 

imagem 2: Combativa, com passos largos e certeiros, Jota Mombaça convoca artistas da performance para inundar Veneza com panos imundos em In the tired watering. 

Gritos pelo espaço que se misturam com poesia, voz e ato.

imagem 3: Ilha de Santa Catarina submersa daqui a 50 anos explodem nos feeds e redes sociais. É assunto de intervalo de trabalho, de elevador, de café em família.

"Faltam apenas 25 anos para minha casa afundar!"

Tudo mentira. Em poucos dias, o bater de asas da fofoca e da fake news é sentido como tufão na realidade e arquivamento das experiências cotidianas. 

Alguns dias depois, a inundação é real e digital. 

imagem 4: Cidades inteiras debaixo d'água invadem os stories, reels, gifs, as novas televisões. Um carro é arrastado, uma senhora está se segurando em um galho de árvore, a correnteza da chuva chega no terceiro andar, o seu vizinho perde o teto, a barragem da represa se rompe. 

A chuva é sentida no rosto em gota, no pé em poça e no dedo em pixel.

Qual o limite entre fofoca e realidade? Como deslocar as distopias para construir utopias? 


***


No período de dois anos vamos investigar os fenômenos em curso de deslocamento e descolamento: caminhos d’água, fluxos migratórios, redes de informação e fofoca, dispositivos de tensionamento social, trocas de calor, fluidez sexual e de gênero.

Partimos de uma poética e uma prática transdisciplinar aos modos que coloca Patrizia Constantin em sua leitura de Édouard Glissant ao falar de curadoria: uma prática de navegar por um arquipélago de conceitos, de construir o próprio caminho. A pesquisa curatorial é um movimento de interpretação contextual de variadas disciplinas e não um caminho de esgotamento do objeto em um campo disciplinar único.

Nossas estratégias propõem deslocar e descolar o olhar para os objetos centrais da arquitetura e da psicanálise, espaço e subjetividade. A partir de pesquisa curatorial e estratégias pedagógicas que assumam o movimento e a descontextualização, propomos um programa de construção de sentidos de fricções críticas, como colocam o curador Bruno Alves de Almeida. 

É também no deslocamento que entendemos a necessidade de aproximação de objetos a partir de uma teoria suja, desvinculada aos hermetismos positivistas, nas palavras de Hélène Frichot. Para olharmos para o mundo de fricções, deslocar/descolar propõe uma busca incessante e constante da novidade no ordinário, no belo no mostruoso e nas possíveis complexidades oxímoras que o tempo presente requer.

deslocar/descolar continua a tarefa do muq de centralizar as formas de arquivamento e produção de gabinetes de curiosidades do tempo presente. É assim que se assume a arquitetura como arquivo do espaço e o corpo como arquivo da experiência. Nosso trabalho de arquivo é, portanto, o do encontro limiar entre o descolamento pelo enviadescimento (queering) e o deslocamento pela descolonização dos artefatos.